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04 Julho, 2008

Convite para um swing

_____Cada vez que eu venho aqui falar de swing (minha dança preferida), um monte dos leitores pervertidos bem-humorados aparece para tirar sarro. Pois bem, para resolver essa questão, hoje eu venho aqui para convidá-los para um baile de swing: neste sábado, dia 5/VII, às 22h. Na primeira meia-hora, será dada uma aula gratuita para quem quer aprender a fazer dançar swing. Não é necessário trazer parceiros. ;-)

Flyer: Festa de Swing

_____Para tirar qualquer dúvida sobre o que irá acontecer no baile, deixo aqui um videozinho para ilustrar a brincadeira.

P.S.: Eu vou adorar se alguns swingueiros desavisados aparecerem.

30 Junho, 2008

Salsichas à moda incauta

- Chegue em casa tarde e muito cansado;

- Fique ainda um bom tempo extra no MSN paquerando resolvendo uns assuntos pessoais até que você esteja absurdamente faminto;

- Descubra que de pronto na geladeira só podem ser encontradas as salsichas de ontem e umas coisas horríveis coisas de salada;

- Apesar do número reduzido de salsichas, deixe a preguiça vencer: pegue logo as salsichas;

- Esquente no microondas;

- Descubra que não tem pão para colocar a salsicha;

- Solte um palavrão;

- Coloque catchup;

- Procure a mostarda;

- Procure mais um pouco;

- Descubra que não tem mostarda;

- Antes de falar mais um palavrão, lembre-se de que você cruzou com um pouco de queijo-ralado enquanto procurava a mostarda;

- Coloque queijo-ralado;

- Acrescente um pouquinho de pimenta;

- Misture tudo e delicie-se.

Salsichas à moda incauta

_____O resultado é feio, mas, acreditem, fica gostoso. Dá para comer sem a ajuda de nem um pingo de álcool.


P.S.: Só escrevi esse textinho jocoso porque, realmente, gostei da iguaria. Talvez tenha sido o efeito da enorme fome que eu sentia naquele momento. Deixo o julgamento para quem tiver coragem de experimentar a receita.

P.P.S.: Para os preguiçosos que não tiverem salsichas na geladeira, o Inagaki deu outra sugestão quase tão horrível quanto a minha.

P.P.P.S.: Se gostou (ou não) dessa receita, tenho outra muito melhor: Petit gâteau fast food.

18 Junho, 2008

Saldo positivo

_____Há exatos cem anos, o Kasato Maru, primeiro navio trazendo imigrantes japoneses para o Brasil, atracava no porto de Santos. Mais de dois anos foram necessários até a chegada de um segundo navio (o Ryojun Maru). Depois, aos poucos, mais e mais imigrantes nipônicos vieram para cá. Entre eles, os pais da minha sogra.

_____Por conta disso, tenho de passar por situações como a da crônica publicada aqui no dia 25 de abril (crônica que, principalmente por causa da data de hoje, vale ser revisitada). Mas, também, é por conta desses imigrantes que namoro uma menina tão maravilhosa quanto a minha bela e interessante namorada.

_____Pelos meus cálculos, o saldo foi bem positivo. ;-)

16 Junho, 2008

Ser ou não ser?

_____“Que merda! Eu já li as obras completas de Shakespeare$, no original.”, gritou, aparentemente sem motivo, um primeiranista de História na mesa do bar da faculdade. “É verdade”, continuou ele depois que as pessoas da mesa dele (e algumas das mesas ao lado) começaram a olhá-lo com espanto, “eu li as obras completas de Shakespeare$, no original, e isso não me adiantou de nada. Até hoje eu nunca comi ninguém.”.

_____Eu achei que era simplesmente uma pessoa boba tentando se mostrar para os que estavam em volta ou, no máximo, tentando dar uma de louco. Porém, tenho de acrescentar, acho que o motivo para ele não ter conseguido comer ninguém é porque ele não leu com atenção as obras completas do bardo inglês.

_____Sério. Se ele resolveu dar uma de louco inteligente para chamar a atenção das meninas para ver se comia alguém, ele tinha sérios problemas. A mais famosa personagem possivelmente louca de William Shakespeare$ é Hamlet$. O atormentado príncipe da Dinamarca, por mais interessante que fosse, ainda assim, no fim das contas, não conseguiu comer sua amada Ofélia.

_____Se até Shakespeare$ deixou claro que essa história de se fingir de louco não serve para nada na hora de comer alguém, o garoto não deveria usar dessa artimanha.

_____Sem dúvidas essa história de ler as obras completas de Shakespeare$, no original, não serve para nada mesmo... se você não tiver lido direito.

*****

P.S.: Se alguém quiser ler um texto de alguém que, tenho certeza, leu Hamlet$ com atenção, indico o ótimo “O Stand-up de Hamlet”, do Almirante Nelson Moraes. Mas, aí, se o Nelson comeu alguém ou não, isso eu já não sei responder.

01 Junho, 2008

Som, Ritmo, Movimento e o que todos os jovens em idade escolar deveriam ter direito

Crianças do Projeto Som, Ritmo e Movimento
_____Semana passada, o pessoal do Blog Content :) me convidou para participar da abertura da edição de 2008 do Projeto Som, Ritmo e Movimento. O Projeto faz parte dos programas educacionais da ONG Ação Comunitária.

_____Por mais de quatro décadas a Ação Comunitária vem fazendo um interessante trabalho de inclusão social com jovens de locais menos favorecidos economicamente da zona sul do município de São Paulo e região. Há três anos, eles começaram a investir no Projeto Som, Ritmo e Movimento que, com atividades culturais e de lazer, procura ampliar o universo cultural dos seus participantes.

_____O Projeto é destinado para jovens com idade entre 2 e 21 anos e trabalha com atividades desportivas, dança, musicalização, teatro e capoeira, além de organizar visitas monitoradas a museus, espetáculos e afins. Em suma, jovens com menos recursos acabam tendo a chance de aproveitar atividades culturais que qualquer colégio particular minimamente razoável ofereceria aos seus alunos.

_____No final de cada edição anual do Projeto, é realizada uma mostra cultural com a produção dos educadores e dos jovens participantes. Quem, assim como eu, foi para a abertura do Projeto deste ano recebeu como brinde um CD com o resultado das atividades de musicalização realizadas em 2007. O disco é bastante divertido, com um repertório semi-infantil composto principalmente por canções populares e em domínio público. Mesmo lembrando, não é um trabalho de tão alta qualidade quanto o dos CDs do Palavra Cantada, porém, de qualquer modo, não deixa de ser um ponto de trabalho bastante importante para a ampliação do conhecimento artístico dos jovens participantes.

Capa do CD do Projeto Som, Ritmo e Movimento.

_____O resultado de toda essa ação, vale dizer, é muito positivo. Os beneficiados pelo projeto têm a possibilidade de ter um contato maior com a cultura, que é bem mais do que as escolas públicas absurdamente ruins que esses jovens têm possibilidade de freqüentar costuma oferecer.

*****

P.S.: Quem quiser conhecer mais sobre a Ação Comunitária e seus projetos, pode acessar o site da instituição. Sendo uma ONG sem fins lucrativos, ela está constantemente em busca de auxílio para a manutenção de suas atividades. Quem quiser ajudar (empresas ou pessoas) pode entrar em contato por telefone (5843-2912) ou e-mail (info@acomunitaria.org.br).

P.P.S.: Aproveito para agradecer ao pessoal do Blog Content :) por ter me convidado para um evento tão interessante e, em especial, ao Gustavo Jreige por toda atenção e auxílio.

30 Maio, 2008

A culpa não é minha

“Assim como a Monsanto e seu Agente Laranja despejado no Vietnã ou como a Lockheed-Martin, pilar industrial da invasão do Iraque e financeiro do governo Bush, a indústria automobilística lavaria suas mãos e diria: ‘Não temos nada a ver com isso. Apenas fabricamos veículos que andam a 180km/h e fazemos propagandas estimulando o individualismo e a velocidade, mas não nos responsabilizamos pelo excesso de velocidade ou pelo individualismo de motoristas que agridem, matam ou desrespeitam outras pessoas pilotando nossos produtos’.”. (Trecho do texto “Efeito colateral ou conseqüência natural?”, do excelente blog apocalipse motorizado).

_____É necessário dizer mais alguma coisa? Creio que não. Mas, com certeza, é necessário que isso seja dito com mais freqüência.

22 Maio, 2008

As origens do mal-humor de House

Senhor Frederick Little
_____Dia desses eu estava assistindo O homem da máscara de ferro, de Randall Wallace, e, em um determinado momento, achei que um dos conselheiros do Leonardo DiCaprio rei Luis XIV era o Hugh Laurie, o ator que interpreta o House. Como não passaram os letreiros completos, depois do filme, fui conferir a biografia de Laurie para ver se ele havia mesmo trabalhado no filme.

_____Fiquei surpreso ao descobrir que, antes de fazer sucesso como House, Laurie não só havia sido conselheiro do rei, em O homem da máscara de ferro, como, também, havia feito muitos outros papéis menores. Até aí, tudo normal – pode dizer algum leitor –, esse costuma ser o caminho de quase todos os atores que não fazem teste do sofá. Porém, as coisas não são bem assim. O pobre do House Hugh Laurie fez um monte de papéis pequenos que, com certeza, esgotariam a paciência de qualquer ator.


_____Laurie foi o pai adotivo do ratinho Stuart Little, bandido em 101 Dálmatas e, até, trabalhou no Spice World, o filme das Spice Girls. Sem contar que, nO homem da máscara de ferro, a última participação dele no filme foi quando o Luis XIV condenou ele à morte. Não é à toa que ele virou um médico mal-humorado.


P.S.: Encontrei um vídeo que, teoricamente, fez parte da audição que Hugh Laurie fez para ser escolhido para atuar em House M.D.. Prestem atenção na cara de “acordei atrasado para o teste” que o coitado está.


P.P.S.: Quem gosta de House, talvez se divirta com o “Gerador automático de episódios de House”, do blog 7 regras básicas.

P.P.P.S.: E, quem gosta de ver o Hugh Laurie fazendo papel de mal-humorado, talvez se divirta vendo essa participação dele em Friends.


16 Maio, 2008

A culpa é do Bispo

Pára-choque de caminhão

_____As pessoas deste mundo podem criticar à vontade as religiões evangélicas. “O pastor roubou isso.”. Questionar a honestidade delas. “O bispo cobrou aquilo.”. Podem criticar as atitudes que seus fiéis acabam tendo. “Não dou porque Jesus acha que é errado.”*. Porém, a verdade, é que o pior, o mais desprezível feito das religiões evangélicas foi acabar com os pára-choques de caminhão.

_____Desde criança me divirto lendo as frases dos pára-choques. “Feliz era Adão, que não tinha sogra nem caminhão.”; “Se não existisse avião e político andasse de caminhão, as estradas teriam mais conservação.”; “A primeira ilusão do homem começa na chupeta.”; “Duas palavras que abrem muitas portas: Puxe e Empurre.”; “Cana na roça dá pinga. Pinga na cidade dá cana.”; “Dinheiro não traz felicidade. Dê-me o seu, e seja feliz.”. Só que hoje o mundo é outro. Hoje, as religiões evangélicas se espalharam e acabaram com os pára-choques divertidos. Faz anos que a cada dez caminhões que vejo, nove trazem escrito nos pára-choques “Deus é fiel”.

_____É triste, muito triste. Não que eu considere as frases de pára-choque como pérolas da filosofia, mas a verdade é que elas eram interessantes, no mínimo, engraçadas. Encontrar um caminhão divertido hoje é quase tão difícil quanto encontrar um pastor honesto. O pior é que os poucos caminhoneiros com senso de humor que encontro por aí, não trazem mais nenhuma frase inédita.

_____Ainda bem que existem todos os tipos de malucos no mundo. Se na internet é possível encontrar até um site com as onomatopéias utilizadas no seriado do Batman, encontrar algum que listasse frases de pára-choques foi moleza.

Frases de pára-choque


P.S.: Quem se divertiu com a brincadeira, pode aproveitar para ler as “Frases de Pára-Choque de Caminhão em Tempos de Internet”, no Blogui do Serbão.

P.P.S.: Aproveito para registrar o meu repúdio à restrição da circulação de caminhões por alguns locais da cidade de São Paulo como tentativa de melhorar o trânsito. Caso alguém discorde, leia esses dois textos, publicados no blog apocalipse motorizado, antes de falar bobagem na minha orelha.

Atualização, 30/V: Mais um bom complemento para o debate, no Panoptico.

__________

* Essa deve até fazer sentido. A mãe de Jesus não deu e, mesmo assim, ele nasceu.

12 Maio, 2008

O Eixo das Drogas: Paraíso-Consolação

Uma análise dos piores cinemas da região da Paulista

_____Não é segredo para nenhum paulistano interessado em cultura que a Avenida Paulista é um local absurdamente profícuo. Tanto na Avenida, como em grande parte dos seus entornos, é fácil encontrar teatros, museus, cinemas e diversas outras opções culturais de muita qualidade.

_____É exatamente pelas ótimas ofertas que a região oferece que resolvi, hoje, listar quais são as três piores salas de cinema da Paulista para que os leitores as evitem e/ou para que seus responsáveis tomem providências para melhorá-las.

3ª lugar: Bristol

_____Qualquer cinéfilo paulistano sabe: sala de cinema da Playarte não é sinônimo de qualidade. Apesar do Bristol ser razoavelmente novo e um dos poucos multiplex da Playarte, os traços da decadência que as salas da empresa costumam ostentar estão bem presentes. Algumas salas são mal projetadas e todas parecem mal conservadas. A limpeza, principalmente em dias de grande movimento, deixa bastante a desejar. Provavelmente o cinema não está em pior estado graças aos seus poucos anos de vida.

_____Os funcionários parecem tão bem treinados quanto atendentes de repartições públicas. Raramente sabem informar algo sobre o filme e têm, ainda, o desprezível costume de passear pelas salas durante as sessões.

_____A bilheteria é localizada em um dos cantos da praça de alimentação do Shopping Center 3, o que torna a compra de ingressos bastante desconfortável em algumas horas do dia. Os confusos monitores que informam os horários dos filmes, vale dizer, servem como a cereja do bolo na hora de dificultar a compra de ingressos.

_____Apesar disso tudo, justiça seja feita: o Bristol conta com bons assentos e, vale ressaltar, tem a enorme vantagem de ser o único cinema da região da Paulista com poltronas com braços que levantam. É muito incomodo ir para os outros cinemas da região e nunca poder assistir a um filme abraçado confortavelmente com a sua companhia.

Multiplex Bristol – Avenida Paulista, 2064

2ª lugar: Gemini

_____O Gemini é um cinema antigo que ainda resiste bravamente. Apesar da idade, não está tão deteriorado. Isso não significa, de maneira alguma, que não seja necessária uma bela reforma nas suas salas.

_____O preço não costuma ser tão salgado quanto o dos cinemas atualmente, mas isso não significa que alguém possa aproveitar para assistir uma sessão seguida da outra, pois as poltronas são bastante desconfortáveis (ninguém com problemas de coluna conseguiria agüentar mais um filme nelas). Duras, sem porta-copo, nem encosto de cabeça, elas ainda têm o problema de ficar em salas de pouca inclinação (qualquer espectador maior que Napoleão Bonaparte, pode se tornar uma cabeça na frente do seu filme).

_____Vale dizer, não são apenas as cadeiras que precisam ser renovadas. O carpete que forra as paredes está tão velho que chega a ser nojento sentar-se nos cantos das salas, mesmo sendo possível notar que o trabalho de limpeza do cinema é aceitável.

_____Além da programação bem variada para um cinema de apenas duas salas, o grande trunfo do Gemini é ter funcionários extremamente bem educados, sempre prontos para atender os clientes e informar sobre as promoções do cinema. Dá gosto ser tão bem atendido.

Gemini – Avenida Paulista, 807

1º lugar: Paulista

_____O grande campeão, eleito como o pior cinema da região não poderia ser outro que não o cinema do Shopping Pátio Paulista. Também da rede Playarte, o Paulista conta com os mesmos problemas que o seu irmão de empresa (má conservação, funcionários que parecem ter sido treinados em um celeiro), elevados pelos seus já excessivos anos de vida.

_____Como é mais velho que o Bristol, suas poltronas são de modelos mais antigos: não têm encosto de cabeça, não levantam os braços, nem são muito confortáveis. São melhores que as do Gemini, mas isso não lá é muita vantagem (sou melhor que o Stephen Hawking na queda de braço, mas não enumero isso como uma qualidade). Parece que a única vantagem real do Paulista é ter uma bilheteria que não dificulta para o público descobrir qual o horário dos filmes que estão em cartaz.

_____A limpeza é mais precária do que a de latrina de soldado. Desde os espaços entre as cadeiras ao carpete da parede, existem muitos pontos nojentos nas salas. Deve até ser por isso que eles deixam de trocar algumas lâmpadas que queimaram.

_____Sinceramente, pelo modo como a Playarte cuida de suas salas, fico triste em saber que são eles a reformar o velho Marabá no centro de São Paulo. Pelo menos no Shopping Paulista, outra empresa está organizando reformas para abrir novas salas.

Paulista – Rua 13 de Maio, 1974

*****

_____Pode até parecer que sou um pouco duro em minhas críticas, mas a verdade é que os cinemas da Paulista são bastante bons. É claro que todos precisam melhorar em alguns pontos (principalmente no preço), mas achei importante ressaltar quais são os cinemas que mais precisam de melhoras.

P.S.: Essa postagem faz parte do projeto “Blogueiro repórter”, organizado pelo Edney Souza. O tema do texto foi livremente adaptado de uma fala do Edney, que afirmou que não publicaria uma matéria que falasse sobre o Eixo das Drogas Rio-SP.


11 Maio, 2008

Psicografando

_____O texto sagrado de que melhor se conhecem as condições em que foi escrito é o Corão. Entre a totalidade e o texto, os intermediários eram pelo menos dois: Maomé escutava a palavra de Alá e a ditava a seus escribas. Um dia – contam os biógrafos do Profeta – Maomé ditava ao escriba Abdullah quando interrompeu a frase no meio. O escriba, instintivamente, sugeriu-lhe a conclusão. Distraído, o Profeta aceitou como palavra divina o que dissera Abdullah. Esse fato escandalizou o escriba, que abandonou o Profeta e perdeu a fé. (Italo Calvino, Se um viajante numa noite de inverno, p. 186).

_____Outro dia, em uma de minhas viagens pelo metrô, sentei-me ao lado de uma moça muito bonita que estava lendo um livro. Curioso que sou, estiquei os olhos para descobrir o que ela estava lendo: mais um dos novos livros da Zibia Gasparetto.

_____Mal eu havia disfarçado uma careta, paramos na próxima estação e uma velhinha sentou no assento que estava vago à nossa frente. Qual não foi minha surpresa quando vi que ela é que primeiro puxou papo com a moça:

_____– Nossa, você também está lendo Onde está Teresa?? – E, tirando outro exemplar da bolsa, completou: – Olhe, estou bem no fim do meu.

_____Poderia ser uma introdução de história bacana se o objeto do papo não fosse o livro de uma escritora de qualidade tão duvidosa. Será que o espírito que “dita” os livros relê? Fico abismado com a velocidade com que essa mulher consegue matar árvores escrever.

_____Pena que os leitores de auto-ajuda espírita não têm o mesmo bom senso do Abdullah, do livro do Italo Calvino, nem a Zibia, o discernimento da personagem da tirinha abaixo, do Rafael Sica.

Ordinaria 1901

P.S.: Aproveitando o assunto, indico a divertidíssima “historinha com moral espírita” do Rafael Galvão.

30 Abril, 2008

Ilustrando a postagem alheia

_____A Carol Costa contou em seu blog a sua versão divertida sobre nossa ida a uma gafieira. Para nos reconhecermos, ao invés de indicar para ela meu cabelo mal cortado, eu disse que iria com um livro de bolso do Conan Doyle na mão. Ela disse que iria “bem bailarina” e reclamou que não servia nada eu dizer que seguraria um livro em uma livraria (nosso ponto de encontro). Falei para ela não se preocupar, pois somos blogueiros e o Google iria nos ajudar. Falei isso para ela, pois eu havia amarrado uma fitinha amarela de São Google, brinde da Loja do Bispo, em meu tênis de dançarino.

Fitinhas de São Google

_____Tudo isso está descrito no blog dela, quem clicou no link já sabe essa história toda. O texto da Carol, como de costume, está bem divertido. Entretanto, fui eu que levei uma máquina e só aqui que os leitores de ambos podem dar uma olhada no meu pé com a fitinha, junto ao pezinho dela, com a sapatilha de bailarina.

Pés de dançarinos


P.S.: A Carol é o máximo, tão divertida pessoalmente quanto nos seus textos. Só que ela não é muito normal. Sinceramente, não aconselho que ninguém a deixe tomando conta de alguma criança.

23 Abril, 2008

Contra o analfabetismo? Mesmo?

_____Grande parte dos blogs que leio, acabo lendo por meio do Google Reader, meu leitor de feeds. Mesmo sendo fácil e cômodo, tem o problema de fazer com que eu deixe acumular algumas leituras e acabe lendo muitos textos com certo atraso.

_____Acabei de ler, por exemplo, um texto interessante do Allan, do blog Carta da Itália, sobre a campanha “A blogosfera brasileira contra o analfabetismo” que acabou me dando um novo assunto para tratar com vocês. Mesmo sabendo que os textos contra o analfabetismo deveriam, para participar da campanha, ter sido publicados no dia 18, creio que tenho um texto interessante que vale ser revisitado por conta dessa discussão. É o “NoCu da professora”, publicado aqui no Incautos em novembro do ano passado.









_____Escrevi o “NoCu da professora” por ter encontrado um texto absurdamente mal escrito que uma professora de História de uma escola pública paulistana passou para os seus alunos. Sinceramente, se querem fazer uma campanha contra o analfabetismo, eu aconselho que, caso a “blogagem coletiva” sobre o tema se repita no próximo ano, não adotem como tema simplesmente “blogagem coletiva contra o analfabetismo” e, sim, “blogagem coletiva contra o analfabetismo dos professores”.

_____Tentar combater o analfabetismo sem pessoas realmente preparadas para isso é um pouco difícil. Como disse o Allan, o MOBRAL, um dos programas brasileiros de alfabetização, “ensinava” as pessoas “a ler e escrever, mas poucos alunos saíam de lá com capacidade de compreender e interpretar textos de uso cotidiano. Produzir um texto escrito, então, nem se fala.”. E, como bem lembrou o Doni, do Hedonismos, a pressão da sociedade para que algo melhore é muito importante.

_____Uma sociedade que não se importa com professores semi-analfabetos “ensinando” tem graves problemas. Para não citar apenas o meu texto como exemplo, pergunto: vocês nunca cruzaram com um blog de um professor que escrevia excessivamente mal? Quando encontraram esse blog, fizeram algum comentário público? Enviaram, pelo menos, algum e-mail para o “professor” semi-analfabeto autor do blog? Ignorar o problema, com certeza não ajudou a resolvê-lo.


P.S.: Já que a “blogagem contra o analfabetismo” foi feita no dia 18, dia nacional do livro infantil, aproveito para contar que, por coincidência, tive a sorte de publicar este texto aqui no blog hoje, dia 23/IV, dia mundial do livro.

P.P.S.: Diga-se de passagem, no dia do livro existe um costume em parte da Espanha que eu achei uma graça. As mulheres dão um livro de presente para os homens e recebem, como retribuição, uma rosa. Lindo, não?

21 Abril, 2008

Nova cabeleireira (parte II)

_____Lembram do pequeno texto que eu escrevi contando que a minha namorada resolveu ser minha cabeleireira? Pois bem, como tenho sorte e meu cabelo ainda cresce, ontem (cerca de um mês depois da tosa anterior), ela se ofereceu, novamente, para cortar.

_____Vocês sabem qual é a sensação de ouvir a pessoa que está cortando o seu cabelo falar “Ops...”? Sabem? Vocês acham que é ruim? Que nada, tem coisa bem pior...

_____O pior é quando a próxima frase da sua cabeleireira é “Tudo bem, eu faço igual do outro lado. Nem vai dar para perceber.”.


P.S.: Será que minha namorada fez isso com o meu cabelo porque eu aceitei sair para dançar com uma certa blogueira?

P.P.S.: Nunca vi ao vivo essa blogueira e, portanto, conversamos um pouquinho por e-mail para saber como iríamos nos reconhecer. Mocinha animada e de muita imaginação, ela disse: “[Vamos combinar] um jeito divertido de nos encontrarmos (não vale usar celular!!!). No mínimo, rende post.”. Acho que já sei o que vou falar para ela: “Vai ser fácil me encontrar, é só procurar um cara com o cabelo engraçado.”.

P.P.P.S.: Quem quiser dar uma mãozinha para a minha namorada, tenho uma boa sugestão aqui.

19 Abril, 2008

O fim de Dogville

Vista aérea de Dogville

_____Em fevereiro, escrevi uma pequena postagem chamada “Selva de pedra” em que eu brincava com uma foto que tirei de um quadrado de cimento na Avenida Paulista. O motivo para que eu brincasse com o quadrado foi porque nele estava escrito “Árvore” em verde. Fiz simplesmente uma pequena brincadeira entre a cidade de São Paulo, famosa por ser o cânone de ambiente urbano brasileiro, e um quadrado de cimento escrito “Árvore” ao invés de uma árvore verdadeira.

Árvore da Paulista

_____Depois de postar, acabei surpreendido pelos comentários dos meus leitores. Pelo visto, todos os que comentaram na postagem, acreditaram que aquela árvore de cimento se tratava de uma intervenção artística. Por mais interessante que fosse a idéia, não era o que eu havia imaginado inicialmente. Só achei mesmo engraçado aquela “árvore de cimento” em uma famosa avenida de Sampa e compartilhei a piada pronta com meus leitores.

_____Não achei que algumas das calçadas de São Paulo haviam virado parte do cenário de Dogville, Manderlay ou do futuro último filme da trilogia sem cenário (só com marcações de cena), que Lars von Trier prometeu dirigir. Eu achava, na verdade, que aquela árvore de cimento nada mais fosse do que uma marcação de onde deveriam ser plantadas novas árvores (verdadeiras) nas reformadas calçadas da Paulista. Contudo, como eu não tinha nada que confirmasse que a minha tese e não a dos meus leitores estava correta, aguardei.

Dogville

_____Por causa dos meus leitores, prestei bastante atenção nas “árvores de cimento” nos últimos meses e, hoje, é com prazer que anuncio que realmente eram marcações para o futuro plantio de árvores na Paulista. Tirei fotos tanto do momento em que transformaram os quadrados de cimento em terra fofa...

Espaço para árvore

..., quanto das árvores realmente plantadas pela avenida. No geral, fico satisfeito com o resultado. Mesmo gostando de intervenções artísticas, é muito bom cruzar com mais árvores na região da Paulista.

Árvore na Paulista

_____O único ponto que vou lamentar desta história toda é que a previsão para o lançamento do terceiro filme da trilogia sem cenário EUA – Terra de oportunidades (a trilogia dos ótimos Dogville e Manderlay), previsto para o ano passado, ainda está só no papel.

P.S.: Vale dizer que a idéia fílmica que norteia esta postagem veio de uma gostosa conversa com minha inteligente amiga Isabela.

P.P.S.: Para os fãs de Dogville e Manderlay, o título do filme que, teoricamente, vai encerrar a trilogia é Wasington.

17 Abril, 2008

O que causa me causa alergia

_____O cérebro dos seres humanos é uma praga. O meu, então, pior ainda. Parece até que o meu cérebro faz certas coisas só para me incomodar. Sério mesmo. Se nego vira para mim e fala que está com piolho, mesmo se ele estiver com a cabeça coberta, mesmo se ele não tiver piolho de verdade, mesmo eu sabendo que eu estou cada dia com menos cabelo (e, portanto, com menos lugares para algum piolho se alojar), eu já começo a coçar a cabeça. Se alguém fala que está com fome, com irritação nos olhos ou coisa do tipo, idem.

_____Se fico perto de um pobre infeliz que está com alergia, acho que para que o maldito não se sinta sozinho, meu cérebro faz com que meu corpo comece a sentir coceiras e instintivamente começo a me coçar. Diga-se de passagem, até escrevendo esta postagem eu estou a me coçar. Quem gosta de contar piadas, aproveite que eu acabo de dar o mote.

_____Estou tergiversando, não comecei a escrever este texto para falar de coceiras. Meu problema é outro. Meu problema é que o meu amigo Alex, do Liberal, Libertário, Libertino, tem publicado uma ótima série sobre racismo em seu blog (partes I, II, III e, em breve, IV – mas, dêem uma olhada no blog todo nesses últimos dias, pois ele tem publicado ótimos complementos). Tudo começou quando ele escreveu um post falando sobre o uso da palavra “nego”, que ele e os cariocas em geral, usam, teoricamente, sem maldade alguma. Sabe, algo como “Se nego vira para mim e fala que está com piolho, (...) eu começo a coçar a cabeça.”? Pois é.

_____Teoricamente, não há problema algum em se falar “nego” dessa maneira. Teoricamente, não há uma conotação preconceituosa nem nada do tipo e, portanto, não vai incomodar ninguém. Certo? Não. Um dos pontos principais dos textos do Alex, é que quem sabe da ofensa é o ofendido. Portanto, falar “nego” pode, sim, incomodar alguém. Seria bom evitar a palavra.

_____Só que, como eu disse, se alguém fala que está com sarna, eu logo começo a me coçar. Desde que o Alex falou começou a trabalhar com o assunto, tenho parecido carioca e falo “nego fez isso...”, “nego faz aquilo...” a torto e a direito. Ô inferno.

Eu odeio o LLL

_____Ainda bem que eu me conheço e sei que logo a coceira passa.

13 Abril, 2008

Escritor de sucesso

_____Existem um monte de blogs por aí que ensinam o que os aspirantes a “blogueiros bem sucedidos” devem fazer. Não sei o que as pessoas consideram sucesso, só sei que, apenas com o meu último texto, eu recebi (até agora) três convites femininos para sair para dançar (dois nos comentários e um por e-mail). Acho que já é o bastante para eu me sentir bastante bem.

_____Caso o Gustavo Gitti, o Dr. Love, o Gustavo Straits ou outro conselheiro amoroso precise de alguma ajuda, é só escrever. ;-)