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22 Julho, 2008

Super Fraco

_____Estar doente é um porre. Eu me sinto fraco, qualquer coisa me cansa e eu não consigo fazer direito nem as coisas que gosto.

_____Creio que o Calvin sabe muito bem como eu me sinto:

Calvin - Hancock

P.S.: Esta piadinha foi devidamente patrocinada pela Sony Pictures. ;-)


08 Julho, 2008

A infância do Padre dos Balões

_____Quem se interessa pelo padre Adelir de Carli, o Padre dos Balões, e não quer apenas ficar acompanhando notícias sobre o que talvez sejam os seus restos mortais, agora tem um trunfo. Um filme de 1956, sobre a infância do religioso, acaba de ser restaurado e está em cartaz em algumas salas do país. Quem se interessou é só procurar O balão vermelho, de Albert Lamorisse.

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P.S.: Mesmo sendo apenas um chiste, não é possível acompanhar o interessante filme de Lamorisse sem se lembrar do Padre Voador. De qualquer modo, brincadeiras à parte, não deixem de ver.

06 Julho, 2008

As novas salas do Unibanco e os arquitetos de cinema que não catam ninguém

_____Há uns meses eu publiquei por aqui uma análise das piores salas de cinema da região da Paulista. Um dos complexos duramente criticados por mim foi o Multiplex Bristol, do Shopping Center 3. Reclamei da fala de respeito dos funcionários, da má conservação das salas, da limpeza deficiente; porém, fiz um elogio importante: o Bristol é o único cinema da Paulista com poltronas love seats (as cadeiras de cinema que têm braços removíveis para que os casais, namorados, amasiados, amantes, pegadores, safados e afins possam ficar mais à vontade).

_____Qualquer um que já tenha ido ao cinema acompanhado de um pretendente que seja, sabe o quanto o braço da poltrona entre os dois, tal qual um irmãozinho chato, pode atrapalhar.

_____O Cine Bombril, por exemplo, é um cinema bastante gostoso se você vai sozinho. As poltronas são maravilhosas: macias, bem grandes, com um ótimo espaço entre as fileiras. Os braços das cadeiras do Cine Bombril são enormes. Estando sozinho no cinema, fica ótimo para se ver qualquer filme, mesmo em uma sessão lotada (só com muito esforço o chato da cadeira do lado vai conseguir esbarrar no seu cotovelo durante o filme). Duas pessoas podem pousar o braço, tranqüilamente, nos encostos. No entanto, se você quiser abraçar sua paquera durante o filme, você só vai conseguir ficando com dor nas costas. Como os braços são muito grandes e não podem ser levantados, só é possível abraçar alguém ficando mais torto do que o Quasimodo$.

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Espaço Unibanco Pompéia

_____Os novos cinemas do Shopping Bourbon pertencem ao pessoal do Unibanco. Isso, é bom deixar claro, é algo extremamente positivo já que são eles, também, os responsáveis pelas ótimas salas do Shopping Frei Caneca.

_____As salas do Unibanco Arteplex, do Frei Caneca, são limpas e organizadas, preservam a mesma qualidade desde a sua inauguração. Além disso, eles sempre organizam ótimas promoções (toda semana acontece o Clube do Professor e a Sessão Popular, por exemplo) e são um dos poucos complexos de cinema de São Paulo a exibir tanto cinema-pipoca, quanto filmes cults.

_____Pelo visto, o Espaço Unibanco Pompéia, do Shopping Bourbon, vai pelo mesmo bom caminho (só ainda não organizaram nenhuma promoção): as dez salas são limpas, confortáveis e bem estruturadas, o cinema é organizado e a programação se divide bem entre filmes alternativos e hollywoodianos. Além disso, para o segundo semestre, está prometida a inauguração da primeira sala IMAX do país.

_____O novo cinema do Shopping Bourbon só tem um defeito* grave: apenas uma sala tem cadeiras love seats.

_____Alguém pode me explicar porque fazem um cinema novinho, todo bonitinho e organizado e só colocam uma sala com poltronas de braços removíveis? Qual o problema dessa gente? Nunca pegaram ninguém no cinema? Eles não namoram? Clio que me perdoe, estou começando a achar que o problema é que têm muito arquiteto de sala de cinema que não cata ninguém.

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* Nem vou citar o preço como defeito de algum cinema, já que esse problema se tornou uma constante nos cinemas paulistanos.

14 Junho, 2008

Mais do mesmo

_____Fui assistir Antes que o Diabo saiba que você está morto, de Sidney Lumet$, e saí do cinema com uma enorme sensação de que eu já havia visto aquilo em algum lugar. Depois de passar um tempão pensando, descobri o motivo: a base da história é a mesma da de Cães de aluguel$, do Quentin Tarantino$.

_____É claro que existem vários pontos diferentes (personagens, situações, características de cada um dos filmes), não estou dizendo que é um plágio, mas o caminho central é igual. Exatamente como Anjos e demônios$ e O código da Vince$, do Dan Bown$. Qualquer um que leu os dois livros sabe que a base de ambos é igual. Tão igual que, se eu fosse o autor$, teria ficado com vergonha de aparecer com os dois a público.

_____Tudo isso para dizer que, se houver a possibilidade de escolher, é melhor alugar e ficar em casa (re)assistindo Cães de aluguel$ do que ir ao cinema para ver Antes que o Diabo saiba que você está morto. Se a escolha for entre os livros do Dan Brown$ e o Cães de aluguel$, fique, novamente, com o Tarantino$.

22 Maio, 2008

As origens do mal-humor de House

Senhor Frederick Little
_____Dia desses eu estava assistindo O homem da máscara de ferro, de Randall Wallace, e, em um determinado momento, achei que um dos conselheiros do Leonardo DiCaprio rei Luis XIV era o Hugh Laurie, o ator que interpreta o House. Como não passaram os letreiros completos, depois do filme, fui conferir a biografia de Laurie para ver se ele havia mesmo trabalhado no filme.

_____Fiquei surpreso ao descobrir que, antes de fazer sucesso como House, Laurie não só havia sido conselheiro do rei, em O homem da máscara de ferro, como, também, havia feito muitos outros papéis menores. Até aí, tudo normal – pode dizer algum leitor –, esse costuma ser o caminho de quase todos os atores que não fazem teste do sofá. Porém, as coisas não são bem assim. O pobre do House Hugh Laurie fez um monte de papéis pequenos que, com certeza, esgotariam a paciência de qualquer ator.


_____Laurie foi o pai adotivo do ratinho Stuart Little, bandido em 101 Dálmatas e, até, trabalhou no Spice World, o filme das Spice Girls. Sem contar que, nO homem da máscara de ferro, a última participação dele no filme foi quando o Luis XIV condenou ele à morte. Não é à toa que ele virou um médico mal-humorado.


P.S.: Encontrei um vídeo que, teoricamente, fez parte da audição que Hugh Laurie fez para ser escolhido para atuar em House M.D.. Prestem atenção na cara de “acordei atrasado para o teste” que o coitado está.


P.P.S.: Quem gosta de House, talvez se divirta com o “Gerador automático de episódios de House”, do blog 7 regras básicas.

P.P.P.S.: E, quem gosta de ver o Hugh Laurie fazendo papel de mal-humorado, talvez se divirta vendo essa participação dele em Friends.


12 Maio, 2008

O Eixo das Drogas: Paraíso-Consolação

Uma análise dos piores cinemas da região da Paulista

_____Não é segredo para nenhum paulistano interessado em cultura que a Avenida Paulista é um local absurdamente profícuo. Tanto na Avenida, como em grande parte dos seus entornos, é fácil encontrar teatros, museus, cinemas e diversas outras opções culturais de muita qualidade.

_____É exatamente pelas ótimas ofertas que a região oferece que resolvi, hoje, listar quais são as três piores salas de cinema da Paulista para que os leitores as evitem e/ou para que seus responsáveis tomem providências para melhorá-las.

3ª lugar: Bristol

_____Qualquer cinéfilo paulistano sabe: sala de cinema da Playarte não é sinônimo de qualidade. Apesar do Bristol ser razoavelmente novo e um dos poucos multiplex da Playarte, os traços da decadência que as salas da empresa costumam ostentar estão bem presentes. Algumas salas são mal projetadas e todas parecem mal conservadas. A limpeza, principalmente em dias de grande movimento, deixa bastante a desejar. Provavelmente o cinema não está em pior estado graças aos seus poucos anos de vida.

_____Os funcionários parecem tão bem treinados quanto atendentes de repartições públicas. Raramente sabem informar algo sobre o filme e têm, ainda, o desprezível costume de passear pelas salas durante as sessões.

_____A bilheteria é localizada em um dos cantos da praça de alimentação do Shopping Center 3, o que torna a compra de ingressos bastante desconfortável em algumas horas do dia. Os confusos monitores que informam os horários dos filmes, vale dizer, servem como a cereja do bolo na hora de dificultar a compra de ingressos.

_____Apesar disso tudo, justiça seja feita: o Bristol conta com bons assentos e, vale ressaltar, tem a enorme vantagem de ser o único cinema da região da Paulista com poltronas com braços que levantam. É muito incomodo ir para os outros cinemas da região e nunca poder assistir a um filme abraçado confortavelmente com a sua companhia.

Multiplex Bristol – Avenida Paulista, 2064

2ª lugar: Gemini

_____O Gemini é um cinema antigo que ainda resiste bravamente. Apesar da idade, não está tão deteriorado. Isso não significa, de maneira alguma, que não seja necessária uma bela reforma nas suas salas.

_____O preço não costuma ser tão salgado quanto o dos cinemas atualmente, mas isso não significa que alguém possa aproveitar para assistir uma sessão seguida da outra, pois as poltronas são bastante desconfortáveis (ninguém com problemas de coluna conseguiria agüentar mais um filme nelas). Duras, sem porta-copo, nem encosto de cabeça, elas ainda têm o problema de ficar em salas de pouca inclinação (qualquer espectador maior que Napoleão Bonaparte, pode se tornar uma cabeça na frente do seu filme).

_____Vale dizer, não são apenas as cadeiras que precisam ser renovadas. O carpete que forra as paredes está tão velho que chega a ser nojento sentar-se nos cantos das salas, mesmo sendo possível notar que o trabalho de limpeza do cinema é aceitável.

_____Além da programação bem variada para um cinema de apenas duas salas, o grande trunfo do Gemini é ter funcionários extremamente bem educados, sempre prontos para atender os clientes e informar sobre as promoções do cinema. Dá gosto ser tão bem atendido.

Gemini – Avenida Paulista, 807

1º lugar: Paulista

_____O grande campeão, eleito como o pior cinema da região não poderia ser outro que não o cinema do Shopping Pátio Paulista. Também da rede Playarte, o Paulista conta com os mesmos problemas que o seu irmão de empresa (má conservação, funcionários que parecem ter sido treinados em um celeiro), elevados pelos seus já excessivos anos de vida.

_____Como é mais velho que o Bristol, suas poltronas são de modelos mais antigos: não têm encosto de cabeça, não levantam os braços, nem são muito confortáveis. São melhores que as do Gemini, mas isso não lá é muita vantagem (sou melhor que o Stephen Hawking na queda de braço, mas não enumero isso como uma qualidade). Parece que a única vantagem real do Paulista é ter uma bilheteria que não dificulta para o público descobrir qual o horário dos filmes que estão em cartaz.

_____A limpeza é mais precária do que a de latrina de soldado. Desde os espaços entre as cadeiras ao carpete da parede, existem muitos pontos nojentos nas salas. Deve até ser por isso que eles deixam de trocar algumas lâmpadas que queimaram.

_____Sinceramente, pelo modo como a Playarte cuida de suas salas, fico triste em saber que são eles a reformar o velho Marabá no centro de São Paulo. Pelo menos no Shopping Paulista, outra empresa está organizando reformas para abrir novas salas.

Paulista – Rua 13 de Maio, 1974

*****

_____Pode até parecer que sou um pouco duro em minhas críticas, mas a verdade é que os cinemas da Paulista são bastante bons. É claro que todos precisam melhorar em alguns pontos (principalmente no preço), mas achei importante ressaltar quais são os cinemas que mais precisam de melhoras.

P.S.: Essa postagem faz parte do projeto “Blogueiro repórter”, organizado pelo Edney Souza. O tema do texto foi livremente adaptado de uma fala do Edney, que afirmou que não publicaria uma matéria que falasse sobre o Eixo das Drogas Rio-SP.


02 Maio, 2008

A insegurança que os seguranças trazem

_____Em um dos dias da semana passada passei por uma situação que me deixou muito tenso. O problema é que o fato foi causado porque eu estava cercado por seguranças e, então, percebi como, dependendo da situação, eles podem deixar as pessoas bastante inseguras.

_____Não, não estou falando de quando você está fazendo algo de errado e vê um guarda por perto. Muito menos daqueles estabelecimentos comerciais que colocam como seguranças uns caras tão enormes que provavelmente poderiam palitar os dentes com o fêmur de alguém. Também não me refiro àquelas situações em que um grupo de policiais, de armas em punho, passa correndo perto de você gritando “Não vai subir ninguém! Não vai subir ninguém! Fica todo mundo quietinho aí!”.

Policiais do BOPE

_____Eu não estava perto de uma cena perigosa, não roubei um banco, não cheguei perto de uma casa noturna, nem estava trabalhando em uma ONG de favela carioca. Eu, simplesmente, estava andando de metrô.

_____Logo que entrei na estação Sumaré, vi dois seguranças perto das bilheterias. Eu nem me lembraria disso se, na plataforma, eu não tivesse visto mais uns dez, caminhando em duplas. Um dos pares entrou no mesmo vagão que eu e, então, pude ver em cada estação que o trem passava mais um punhado deles.

_____Eu não entendi até agora o motivo para tantos seguranças pelo metrô. Quando cheguei ao meu destino, como o número de seguranças lá também era grande, achei melhor não parar para perguntar o que estava acontecendo e saí logo da estação. Nada de perigoso ou absurdo aconteceu durante a viagem, entretanto fiquei tenso durante todo o trajeto. Toda aquela gente de uniforme, alguns com a mão no coldre, fizeram com que eu ficasse a viagem inteira atento, esperando que alguma coisa perigosa acontecesse. Ainda bem que na realidade não existe trilha sonora de situação de perigo ao fundo.

27 Abril, 2008

Estátua mais do que viva

_____Estou um tanto cansado, pois acabei de participar, quase que direto, de vários eventos da Virada Cultural. Foi uma delícia, acabei me divertindo até não poder mais.

_____Quando cheguei em casa, porém, ao conversar com a minha família sobre o que eu havia visto e gostado, fiquei intrigado com o resultado. Mesmo tendo visto parte de um workshop de culinária judaica, apreciado a feitura de um HQ ao vivo, escutado alguns shows de rock e de blues (além do show folk da Mallu Magalhães), visto algumas apresentações teatrais, participado de uma roda de samba, assistido uma apresentação de piano, ido para algumas exposições e um monte de outras atividades, o que mais gostei neste ano foi de uma estátua viva.

_____Sempre vejo pela Paulista artistas de rua tentando ganhar uns trocados como estátuas vivas e raramente gosto. Entretanto, dessa vez, eu fiquei um tempão olhando o artista, o cara era absurdamente bom. A movimentação dele na hora de agradecer as moedas era hipnotizante de tão bem feita. Sem contar a maquiagem. Fiquei tão atônito com o cara que até me esqueci de tirar uma foto para mostrar para vocês.

_____O mais interessante, é que essa estátua viva foi o único trabalho artístico que não estava ligado à Virada que eu presenciei neste final de semana e, no fim das contas, foi o que eu mais gostei. Deveria ter anotado o contato do cara.

19 Abril, 2008

O fim de Dogville

Vista aérea de Dogville

_____Em fevereiro, escrevi uma pequena postagem chamada “Selva de pedra” em que eu brincava com uma foto que tirei de um quadrado de cimento na Avenida Paulista. O motivo para que eu brincasse com o quadrado foi porque nele estava escrito “Árvore” em verde. Fiz simplesmente uma pequena brincadeira entre a cidade de São Paulo, famosa por ser o cânone de ambiente urbano brasileiro, e um quadrado de cimento escrito “Árvore” ao invés de uma árvore verdadeira.

Árvore da Paulista

_____Depois de postar, acabei surpreendido pelos comentários dos meus leitores. Pelo visto, todos os que comentaram na postagem, acreditaram que aquela árvore de cimento se tratava de uma intervenção artística. Por mais interessante que fosse a idéia, não era o que eu havia imaginado inicialmente. Só achei mesmo engraçado aquela “árvore de cimento” em uma famosa avenida de Sampa e compartilhei a piada pronta com meus leitores.

_____Não achei que algumas das calçadas de São Paulo haviam virado parte do cenário de Dogville, Manderlay ou do futuro último filme da trilogia sem cenário (só com marcações de cena), que Lars von Trier prometeu dirigir. Eu achava, na verdade, que aquela árvore de cimento nada mais fosse do que uma marcação de onde deveriam ser plantadas novas árvores (verdadeiras) nas reformadas calçadas da Paulista. Contudo, como eu não tinha nada que confirmasse que a minha tese e não a dos meus leitores estava correta, aguardei.

Dogville

_____Por causa dos meus leitores, prestei bastante atenção nas “árvores de cimento” nos últimos meses e, hoje, é com prazer que anuncio que realmente eram marcações para o futuro plantio de árvores na Paulista. Tirei fotos tanto do momento em que transformaram os quadrados de cimento em terra fofa...

Espaço para árvore

..., quanto das árvores realmente plantadas pela avenida. No geral, fico satisfeito com o resultado. Mesmo gostando de intervenções artísticas, é muito bom cruzar com mais árvores na região da Paulista.

Árvore na Paulista

_____O único ponto que vou lamentar desta história toda é que a previsão para o lançamento do terceiro filme da trilogia sem cenário EUA – Terra de oportunidades (a trilogia dos ótimos Dogville e Manderlay), previsto para o ano passado, ainda está só no papel.

P.S.: Vale dizer que a idéia fílmica que norteia esta postagem veio de uma gostosa conversa com minha inteligente amiga Isabela.

P.P.S.: Para os fãs de Dogville e Manderlay, o título do filme que, teoricamente, vai encerrar a trilogia é Wasington.

11 Abril, 2008

Chega...

_____Às vezes quem gosta de dançar precisa de um incentivo para ir a um salão. Provavelmente o Chega de Saudade, de Laís Bodanzky (novo filme nacional em cartaz nos cinemas), que fala sobre uma noite em uma casa de bailes, é uma ótima opção para animar um dançarino, certo? Errado!

_____Um dos motivos para que esse filme sobre “dança” não ser, de maneira alguma, uma boa opção para quem quer se animar para ir para um salão de baile é que o filme é absurdamente ruim. No máximo vai animar alguém a cortar os pulsos (se for a diretora do filme, ela conta com todo o meu apoio – pode até usar o dinheiro que gastei com o meu ingresso para comprar gilete). As imagens são pobres e muitas vezes caóticas, as personagens, bastante estereotipadas e as falas não têm nada de originais.

_____Só que não vou apenas criticar a baixa qualidade do filme. A qualidade da dança apresentada também é bastante baixa. As inúmeras danças que apareceram são tão parecidas com danças quanto o tango do Al Pacino, em Perfume de mulher, parece com um tango. Já sei, todos os seres humanos do mundo que não entendem patavina sobre tango acham aquela dança um ideal a ser atingido. Acreditem, aquele tango não é um ideal a ser atingido nem se você for cego.

_____Convenhamos, em Perfume de mulher, tudo bem. Entretanto, não dá para fazer o mesmo com Chega de saudade. É pedir muito que um filme que trata de um salão de baile e seus freqüentadores tivesse arrumado, no mínimo, alguns figurantes que soubessem dar uns passos? Quase todas as danças que são vistas no filme são variações bem pobres do “dois para lá, dois para cá”.

_____A diretora, para falar a verdade, até chegou a contratar alguém para coreografar as “danças” do filme. Um infeliz (que, pelo visto, entende de dança tanto quanto eu entendo de física quântica) chamado J.C. Violla. Diga-se de passagem, (não) dêem uma olhada no site do filme. Existe até uma categoria no site chamada “Aprenda a dançar com J.C. Violla” (sic), que vale mencioná-la pelo seu caráter humorístico. Eu gostaria inclusive de deixar registrada uma menção honrosa para as bobagens “ensinadas” na “aula” de samba de gafieira, com os dançarinos “dançando” fora do ritmo ditado pelo “professor” Violla.

_____Porém, algo há de ser dito: salões de bailes como o do filme existem. São tão deprimentes e preconceituosos quanto o do Chega de saudade e aconselho, sinceramente, que ninguém os freqüente. Quem vai paga caro, não tem a oportunidade de ver quase nenhuma dança de qualidade, tem uma enorme chance de ser barrado por causa dos trajes, vai conviver com diversas faltas de respeito e assim por diante.

_____O salão em que o Chega de saudade foi filmado é o do União Fraterna, na Lapa. Mas, existem muitos outros como ele aqui em São Paulo: o do Clube Homs, do Piratininga, o Cartola Club, etc.. Não vou linkar nenhum, porque gosto dos meus leitores e não quero que vocês sofram. Quem quiser sair para dançar ou para assistir boas danças, aconselho que freqüente bailes de academias de dança de salão ou locais em que as pessoas realmente são educadas e sabem como dançar. São boas opções paulistanas a Dançata, o Buena Vista, o The Clock, o Canto da Ema e um monte de outras casas especializadas ou não em algum ritmo.

_____Quem já viu o filme e acha que o dinheiro público destinado a ele foi bem gasto, obviamente tem todo o direito de discordar dos meus pesados comentários. Só não estranhe se alguém perguntar se você é ruim da cabeça ou doente do pé.



P.S.: Querem ver um relato de um baile como o do filme? Dêem uma passada no blog da Carol Costa. Adoro quando ela está a fim de fazer comentários ácidos (ainda mais comentários tão parecidos com os meus). Ainda saio com ela para dançar.


28 Março, 2008

Algo planejado para a noite de hoje?

_____Nesta sexta-feira um evento um tanto inusitado vai acontecer. Uma sessão de cinema a céu aberto, às 21 horas, no topo do Edifício New England (Avenida Angélica, 2346), em Higienópolis.*

_____O “Cinema nas alturas” (Black Label Unseen) vai passar o inédito Encurralados, de Pierce Barker. Os mais engraçadinhos já disseram que o título Encurralados é perfeito para uma sala de cinema sem paredes. Eu, pessoalmente, creio que o filme que deveria ser transmitido no topo do edifício é a estréia Jumper, de Doug Liman.

_____Piadas à parte, mesmo anunciando o evento aqui, não vou participar. Primeiro porque estarei trabalhando. Segundo, por achar o preço de 35 reais para uma sessão de cinema absurdamente salgado. Se eu quiser ver um filme sem paredes em volta, é só esperar a próxima Mostra de Cinema de São Paulo, que sempre organiza sessões gratuitas no vão do Masp.

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_____Aproveitando, quem estiver a fim de um programa divertido para hoje à noite sem gastar nada, saiba que é dia da tradicional e divertida bicicletada paulistana.

Bicicletada

_____Eu, como já disse, estarei trabalhando. Quem quiser aproveitar um baile de salsa, sinta-se convidado.

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* Uma nova sessão do “Cinema nas alturas” (Roof Top Cinema) vai acontecer amanhã, sábado (29/III/08), também às 21h.

28 Fevereiro, 2008

Spoiler do filme Na Natureza Selvagem

_____Acabei de voltar do IG Cine, fui assistir Na Natureza Selvagem (Into the Wild). O filme não é nada espetacular, mas diverte por umas duas horas. Se vocês querem minha opinião sincera, é bem melhor ficar lendo em casa o On the Road, de Jack Kerouac, ou algum dos livros de Jack London do que ir ver o filme.

_____Mas, nem é, exatamente, por causa do filme que eu resolvi escrever, é por causa da sinopse que colocaram no cartaz do filme lá no IG Cine.

_____Logo depois que vi o filme, parei ao lado do cartaz para dar uma olhada. Fiquei impressionado, parece que o cara que escreveu a sinopse ao lado do cartaz não viu o filme. Pelo menos não viu até o final.

_____Tirei uma foto da sinopse, mas, como não ficou nítida, dei uma olhada no Google para ver se encontrava aquele mesmo texto. Fiquei bobo. Não só encontrei o texto, como, também, descobri que um cara (que não viu o filme até o final) o escreveu e um monte de gente copiou (principalmente sites “especializados” em cinema). Podem conferir.

_____O texto é o seguinte: Na Natureza Selvagem “Após concluir seu curso na Emory University, o brilhante aluno e atleta Christopher McCandless (Emile Hirsch) abre mão de tudo o que tem e de sua carreira promissora. O jovem doa todas as suas economias – cerca de US$ 24 mil – para caridade, coloca uma mochila nas costas e parte para o Alasca a fim de viver uma verdadeira aventura. Ao longo do caminho, Christopher se depara com uma série de personagens que irão moldar sua vida para sempre.”.

_____É uma sinopse informativa fraca, com apenas algumas imperfeições. Pelo menos até a última frase. Como assim “Ao longo do caminho, Christopher se depara com uma série de personagens que irão moldar sua vida para sempre.”. O infeliz que escreveu o texto não viu o filme até o final para saber o cara morre poucos anos depois que resolveu “viver uma verdadeira aventura”? E o pessoal que trabalha no IG Cine (local que só tem uma sala com UM filme passando) também não viu o filme para saber disso e não colocar a sinopse lá? E o bando de sites que copiou o texto também não se tocou? Que horror. Essa gente deveria ter vergonha.

10 Fevereiro, 2008

Um dos meus motivos para escrever e seus perigos

_____Por mais piegas que pareça, um dos motivos para que eu goste tanto de lecionar é, exatamente, saber que influencio bastante a vida das pessoas (espero eu, que de maneira positiva). Por mais que esse seja apenas um dos motivos, é um motivo bem importante para mim. Quando escrevo, esse objetivo também existe.

_____Não planejo, de maneira alguma, ditar regras para a vida de ninguém. Porém, é bem bacana imaginar que, por causa de um texto meu alguém acabou sendo mais educado no cinema, escolheu um livro melhor para ler, foi ver uma exposição, ajudou alguém, sentiu-se melhor, divertiu-se com a namorada ou, até mesmo, imaginar que uma postagem minha fez uma faixa de pedestre ser pintada. A Carol Costa, por exemplo, fez um texto bem divertido sobre doação de sangue e aposto que ficaria muito feliz se soubesse que alguém se sentiu estimulado a doar por causa dela.

_____Claro que sempre é bom tomar cuidado. Quando falei (na postagem do dia 31/I) sobre o bom público no cinema, lembrei que é muito gostoso ter muita gente no cinema em uma comédia, que o filme fica muito mais engraçado, mas que é horrível quando alguém “participa” da maneira que não deve, atendendo um celular, por exemplo. Para terminar a postagem, coloquei um vídeo divertido mostrando David Duchovny, no seriado Californication, sentando a mão em um cara que mal educadamente atendia o celular no cinema.

_____A mensagem principal da postagem era “Aproveitem o filme com outras pessoas, é bem mais divertido. Mas, por favor, não incomode o programa alheio.”. Porém, como bem lembrou meu bom amigo Alex, o que o David Duchovny fez também é absurdamente ruim. Atrapalhou mais o filme do que dez pessoas atendendo o celular ao mesmo tempo. Ver o vídeo pode ter sido válido para a reflexão e bem divertido, porém, é sempre bom lembrar, a atitude dele não deve ser imitada de maneira nenhuma.

_____É o caso do clássico Uma modesta proposta para prevenir que, na Irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país, e para as tornar benéficas para a República, de Jonathan Swift. Grosso modo, a proposta de Swift para melhorar a vida na Irlanda é utilizar alguns bebês de famílias pobres como alimento. Horrível? Não. Quem ler com atenção o texto dele irá perceber que, na verdade, Swift está fazendo uma dura crítica à sociedade e como ela tratava os seus membros menos favorecidos financeiramente. Como ficção e crítica política, o texto de Jonathan Swift é ótimo. Porém, obviamente, ele não deve ser aplicado no mundo real. Assim como o vídeo do David Duchovny: é engraçado como ficção, interessante para se refletir, mas é algo horrendo na realidade.

_____Para mim, escrever é muito gostoso. Saber que fiz alguém refletir sobre algo, melhor ainda. Porém, ciente de que muitas vezes escrevo de forma agressiva, é sempre bom tomar cuidado para não passar a mensagem errada. Não quero ninguém se matando ou cozinhando bebês por causa um texto meu, porém é sempre maravilhoso imaginar que alguém parou para pensar por causa de um texto meu.

03 Fevereiro, 2008

Piada interna?

_____Eu estava no cinema quando vi pela primeira vez o trailer de Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, o novo filme de Tim Burton. Dêem uma olhada:

_____Assim que o trailer terminou, dei uma gostosa gargalhada e, no silêncio que se seguiu antes do início do próximo trailer, pude notar que ninguém mais riu.

_____Será que ninguém prestou atenção à última fala da personagem de Johnny Depp? “Finalmente meu braço está completo novamente!”. Tudo bem, eu entendi: o cara é um barbeiro maníaco com uma habilidade fora do comum com navalhas e ele sente que o braço está completo por estar segurando uma navalha. Só que não acaba aí.

_____Digam-me, só eu entendi a piada ou eu sou um maluco completo por achar que o Tim Burton estava fazendo referência a outro filme dele?

Edward Mãos-de-Tesoura

31 Janeiro, 2008

Em defesa do bom público

_____Segunda-feira publiquei um texto em que eu critiquei as pessoas mal-educadas que atrapalham o filme dos outros no cinema. Os comentários que os leitores fizeram foram muito interessantes e achei, então, que o texto merecia um complemento.

_____O Alex ressaltou que quando vai ao cinemaé justamente pra conviver com os humanos... se [... quiser] ver o filme em ambiente anti-séptico e controlado, melhor ficar em casa e ver em DVD”. Ele ainda disse: “Outro dia, assisti O Sexto Sentido em dvd e não foi a mesma coisa. Quando assisti no cinema, tinham seis adolescentes na minha frente que gritavam como se não houvesse amanhã. Aquela cena da menina babada aparecendo dentro da tenda, que achei uma das mais aterrorizantes da história do cinema, perdeu metade da sua força sem os gritos daquelas meninas.”. No dia seguinte o Alex ainda voltou e completou: “alias, ontem fui ver cloverfield, noite de terça, cinema vazio, tenho certeza q o filme perdeu muito com aquele silencio todo na sala...”.

_____Concordo plenamente com ele. Uma das graças de ir ao cinema é, exatamente, conviver com outros seres humanos, aproveitar as reações do público. Eu até já havia comentado isso em outra postagem (também citada no texto de segunda-feira). O Alex lembrou que filmes que dão medo, que assustam têm um efeito muito melhor com os gritos do público; acrescento que as comédias ficam milhões de vezes mais engraçadas com o riso da platéia. O riso é contagiante. É muito mais fácil e divertido gargalhar junto com um monte de gente. Se eu tivesse visto sozinho, em casa, o Shrek Terceiro, com certeza não teria me divertido tanto quanto me diverti no cinema (ainda mais porque o terceiro não é tão bom quanto seus antecessores).

_____Só que o público, quando está no cinema, tem de agir de maneira condizente com o filme. Se um maluco ficar gritando “socorro” histericamente a cada vez que uma cena de beijo aparecer em um filme romântico, é bem provável que um brutamontes, que só foi ao cinema porque a namorada o obrigou, levante e coloque o biruta para fora da sala com pontapés.

_____Assisti a Casa do lago no cinema e chorei que nem uma garotinha do início ao fim do filme. Mesmo eu sendo um marmanjo, ninguém demonstrou estranhamento (direto) pelo meu pranto. Entretanto, se eu tivesse tido uma crise de choro assistindo Transformers ou Duro de Matar 4.0, pode apostar que alguém iria até minha cadeira no fim do filme perguntar se eu estava passando mal.

_____Gritar, torcer, dar risada ou chorar pode estar perfeitamente ligado ao filme que está passando e, provavelmente, pode torná-lo até mais divertido (para você e para os outros). Entretanto, como bem lembrou o Léo nos comentários da outra postagem, alguém passando na frente das outras pessoas durante a exibição do filme para comprar pipoca ou por qualquer outro motivo, é pura falta de respeito. Todos têm o filme perturbado por causa de um indivíduo mal-educado. Queira ou não, o cinema é um local público e o respeito pelos outros é uma necessidade.

_____Para fechar com chave de ouro esta reflexão, nada melhor do que um interessante trechinho da série Californication (seriado que eu não conhecia, estrelado por David Duchovny, o Fox Mulder de Arquivo X), indicado, também nos comentários, pela leitora Adriana. Pena que esse tratamento não costuma ser comum a todos os mal-educados que atendem o celular durante o filme ao invés de contribuir para o bom programa de todos.


28 Janeiro, 2008

Aprenda como ser um estúpido mal-educado logo na abertura dos trailers

_____Adoro cinema e, como disse outras vezes, sei que a graça de assistir a um filme na tela grande está em todo o ambiente que o cinema propicia. O som alto, as luzes apagadas, cadeiras confortáveis viradas para a tela, a